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Neurociência como aliada da Educação

Por Fábio Moraes*

 

O diálogo entre neurociência e educação nunca foi tão importante quanto nos tempos atuais. O que muda na forma de ver o aluno como um ser que aprende, que se relaciona, que se transforma e evolui rumo a um desenvolvimento integral e afetivo.

Segundo estudiosos de neurociência, o homem apresenta cerca de 86 bilhões de neurônios distribuídos em seu cérebro, responsáveis pela recepção e transmissão de mensagens por meio das sinapses – processo de comunicação entre os neurônios.

As mensagens são captadas pelos canais sensoriais, não apenas pelos olhos e ouvidos, mas também pelos receptores do paladar, de dor, do olfato e de pressão. Então, podemos nesse sentido nos questionarmos: por que valorizamos apenas a visão e a audição?

A neurociência aplicada à educação assume a difícil missão de entender esses processos atrelados à sala de aula. Não mais com uma visão localizacional, em que determinadas partes do cérebro são responsáveis apenas por efetuar determinadas ações, mas por meio de uma visão sistêmica, de alta complexidade, em que redes neuronais especializadas entram em ação para realizar ações assertivas.

Estudos atuais tocam em feridas que, até então, eram deixadas de lado por incapacidade de diálogo e abertura. Qual a importância do afeto para o desenvolvimento de uma aprendizagem mais elaborada e carregada de sentido? Da mesma forma que falamos de analfabetismo funcional, poderíamos falar de analfabetismo das emoções? Como tratamos os alunos em sala de aula, como uma tábula rasa?

Professor ou Educador?

Aos acomodados, desculpem-me, mas a realidade é outra. A sala de aula, ou o espaço de aprendizagem, cada vez mais exige que o professor se torne um educador. Não basta passar pela vida dos alunos sem deixar marcas, afinal, o educador sempre deixa algo de si nas relações travadas na escola.

Nesse sentido, a neurociência veio alertar-nos da importância de se estabelecer relações saudáveis na escola. De ajudar o aluno a trilhar um caminho novo, de empatia, equidade, respeito e, sobretudo, de motivação.

O educador que não incomoda seu aluno, espero que positivamente,  corre o risco de falar para as paredes. Não falamos apenas de emoções, mas também de metodologia de ensino. Cada vez mais estudos revelam a importância de aulas envolventes, desafiadoras e com objetivo específico. Não dá para entrar num avião sem saber seu destino, e os alunos sabem para onde estão sendo levados? E o ensino com intencionalidade, é levado em consideração?

Com os estudos recentes sabemos, por exemplo, que a gamificação é uma excelente ferramenta para o ensino. Olha que legal, por que não pensar em um ensino que valorize os erros, tenha desafios, demonstre resultados e celebre as conquistas? Aí está a chave de tudo: precisamos analisar o que chama a atenção desses adolescentes e jovens. Não basta ensinar, eles precisam perceber que estão no processo.

O Ensino Híbrido é outra metodologia que pode fazer a diferença na escola. Cada aluno é um, não aprende da mesma forma. O Ensino Híbrido trabalha com ilhas de aprendizagem, respeitando as diferentes formas de conectar-se ao conteúdo. Sendo assim, se o aluno tiver mais facilidade para aprender com vídeos, terá sua individualidade respeitada. E se outro preferir pesquisar na internet, também, terá sua individualidade respeitada.

O esporte é outro elemento importante para a aprendizagem. Parece que, após a Educação Infantil, os alunos são proibidos de se movimentar, de trabalhar com o maravilhoso, com os jogos e brincadeiras. Está tudo errado. As brincadeiras ativam o sistema de recompensa, bem mais rápido que uma aula tradicional. Quantos neurotransmissores estão envolvidos em uma aula animada: adrenalina, noradrenalina, dopamina, acetilcolina, glutamato, favorecendo uma aprendizagem envolvente, com grande peso emocional e memória reforçada.

Portanto, o caminho de diálogo entre neurociência e educação é a chave para acabar com alguns males da educação excludente. Educar é uma vocação, e como foi uma escolha, toda escolha deve ser precedida de compromisso. Esperamos que os novos currículos de formação de professores contemplem essa área tão nobre que é o estudo de como o cérebro aprende.

 

* Coordenador Pedagógico do Ensino Fundamental e Médio do colégio Liceu Coração de Jesus, o professor Fábio Aurélio de Moraes é especialista em Neurociência aplicada à educação pela Faculdade de Ciências Médicas da Santa Casa de São Paulo.

Crédito da foto: Pixabay

Comentários

  • Professora Cristina Santos
    15 de abril de 2018

    Fabio,parabéns pelo excelente artigo. Procuro trabalhar assim em sala de aula e tenho certeza que meus alunos têm apresentado bons resultados, mas acima de tudo, demonstram prazer em aprender porque temos trabalhado os objetivos que queremos alcançar.

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